Corporeidades de mulheres surdas no cinema contemporâneo: uma cartografia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22169/revint.v20.e25do314

Palavras-chave:

Educação Especial, Cinema, Surdez, Gênero

Resumo

Este artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa de doutorado em andamento que cartografa as formas pelas quais a corporeidade das mulheres surdas é narrada no cinema contemporâneo, com base em uma abordagem cartográfica de inspiração deleuze-guattariana. Foram analisadas quatro obras de ficção (Filhos do Silêncio [1986], A Música e o Silêncio [1996], A Família Bélier [2014] e No Ritmo do Coração [2021]) e dois documentários (Som e Fúria [2000] e Sou Surda e Não Sabia [2009]). A análise permitiu identificar linhas molares que reforçam normas de silenciamento, dependência e objetificação, bem como uma linha molecular que esboça uma discursividade identitária em torno da surdez. Ao tomar a corporeidade surda feminina como matriz de experiência, o estudo evidencia que, embora alguns discursos cinematográficos sinalizem rupturas, ainda tendem a abordar essas existências de forma parcial e pouco tensionadora. A cartografia resultante revela tanto os limites das formações discursivas predominantes quanto as brechas para narrativas mais complexas, que considerem as mulheres surdas como sujeitos de linguagem, desejo e agência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Elaine Andrade Peres Fernandes, Universidade Federal de São Carlos

Doutoranda em Educação Especial no Programa de Pós-Graduação em Educação Especial (PPGEEs) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ), São Carlos, SP, Brasil e docente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Campus Boituva, Boituva, SP, Brasil.
Pesquisadora vinculada a Secretaría de Ciencia y Técnica, Universidad Nacional de Córdoba (SECyT/UNC), Córdoba, Argentina.

Vanessa Regina de Oliveira Martin, Ufscar

Doutora em Educação e docente na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP, Brasil.

Referências

A FAMÍLIA Bélier (Título original: La Famille Bélier). Direção: Eric Lartigau. França: Mars Distribution / Brasil: Paris Filmes, 2014. Disponível em: https://tv.apple.com/ar/movie/lafamillebelier/umc.cmc.3o35qeqiokn4y8nzm49x67ghj?action=play. Acesso em: 24 ago. 2023.

ALMEIDA, M. J. de. A educação visual da memória – imagens agentes do cinema e da televisão. Proposições, v. 10, n. 2, p. 29, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8644074. Acesso em: 23 set. 2025.

A MÚSICA e o silêncio (Título original: Jenseits der Stille). Direção: Caroline Link. Alemanha: [s. n.], 1996. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GPs-weIveEQ. Acesso em: 24 ago. 2023.

COLLINS, P. H.; BILGE, S. Interseccionalidade. Tradução de Rane Souza. São Paulo: Boitempo, 2021.

CRENSHAW, K. Documento para o Encontro de Especialistas em Aspectos da Discriminação Racial Relativos ao Gênero. Revista Estudos Feministas, v. 10, n. 1, p. 171–188, 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2002000100011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/mbTpP4SFXPnJZ397j8fSBQQ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 24 ago. 2023.

DELEUZE, G. Cinema: a imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 1990.

DELEUZE, G. Espinosa: filosofia prática. São Paulo: Escuta, 2002.

DELEUZE, G. Sobre o teatro: um manifesto de menos – o esgotado. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Coleção TRANS. v. 1. Rio de Janeiro: Editora 34 Letras, 1995a.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Coleção TRANS. v. 2. Rio de Janeiro: Editora 34 Letras, 1995b.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Coleção TRANS. v. 3. Rio de Janeiro: Editora 34 Letras, 1996.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Coleção TRANS. v. 4. Rio de Janeiro: Editora 34 Letras, 1997.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O Anti-édipo: Capitalismo e esquizofrenia. Coleção TRANS. 1a ed. São Paulo: Editora 34 Letras, 2010.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Coleção TRANS. v. 5. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora 34 Letras, 2012.

FERNANDES, E. A. P. Políticas públicas da educação de surdos no século XXI: análise de documentos federais, estaduais e municipais. 2019. 145 f. Dissertação (Mestrado em Educação) — Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, Campinas, SP. Disponível em: https://hdl.handle.net/20.500.12733/1637021. Acesso em: 16 mar. 2023.

FILHOS do silêncio (Título original: Children of a Lesser God). Direção: Randa Haines. EUA: Paramount Pictures, 1986. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JnjIp4XYSeY. Acesso em: 24 ago. 2023.

FOUCAULT, M. A verdade e as formas jurídicas. Tradução de Roberto Cabral de Melo Machado e Eduardo Jardim Morais; supervisão final do texto de Léa Porto de Abreu Novaes et al. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2005. 160 p.

FOUCAULT, M. O governo de si e dos outros. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.

GONZALEZ, L. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Org. Flávia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. p. 223–244.

KLEIN, M.; FORMOZO, D. de P. Gênero e surdez. Reflexão e Ação, v. 15, n. 1, 2007. DOI: https://doi.org/10.17058/rea.v15i1.225. Disponível em: https://periodicos.puc-campinas.edu.br/reveducacao/article/view/5356. Acesso em: 8 fev. 2024.

LOPES, L. B. Emergência dos Estudos Surdos em Educação no Brasil. 2017. 102 f. Dissertação (Mestrado em Educação) — Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2017.

LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 6. ed. São Paulo: Vozes, 2003.

LUQUE, C. I. et al. Afectos y discursos como arenas de lucha del género: glosario ilustrado. Contribuições de Carolina Valeria González; edição de María Emilia García Papellin; prólogo de Dora Barrancos. 1. ed. Córdoba: Editorial de la UNC, 2024. Livro digital, PDF. ISBN 978-987-707-330-0.

NO ritmo do coração (Título original: CODA). Direção: Siân Heder. 2021. Drama. Duração: 1h 51min. Roteiro: Siân Heder. País: Estados Unidos da América. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Q4VJTXiL9b0&t=1181s. Acesso em: 24 jun. 2023.

OLIVEIRA, T. R. M. de; PARAÍSO, M. A. Mapas, dança, desenhos: a cartografia como método de pesquisa em educação. Pro-Posições, v. 23, p. 159- 178, 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-73072012000300010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pp/a/6YjGVFn6qZpqdGcPVtWFbWn/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 13/03/2024.

PERLIN, G.; VILHALVA, S. Mulher surda: Elementos ao empoderamento na política afirmativa. Revista Fórum - INES, v. 33, 2016. Disponível em: https://www.ines.gov.br/seer/index.php/forum-bilingue/article/view/89. Acesso em: 10 fev. 2024.

RIBEIRO, D. O que é lugar de fala? 6. ed. São Paulo: Jandaíra, 2020.

RODRIGUES, J. R.; BARBOSA, K. G.; VIEIRA-MACHADO, O. L. M. da C. (Orgs.). Os surdos e a sétima arte: representações, perspectivas, problematizações desde outras flutuações. Itapiranga: Schreiben, 2022. 215 p.

RODRIGUES, M. B. Filosofia da diferença e a questão política da identidade racial. Cadernos de Ética e Filosofia Política, [S. l.], v. 1, n. 34, p. 73-87, 2019. DOI: 10.11606/issn.1517-0128.v1i34p73-87. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/cefp/article/view/154310. Acesso em: 21 jun. 2024.

SCOTT, J. W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.

SKLIAR, C. Os estudos surdos em educação: Problematizando a normalidade. In: SKLIAR, C. (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. 4. ed. Porto Alegre: Editora Mediação, 2010. p. 7-32.

SOM e fúria (Título original: Sound and Fury). Direção: Josh Aronson. 2000. Documentário. Duração: 1h 20min. País: Estados Unidos. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ivq_JWegFgM. Acesso em: 02 maio 2024.

SOU surda e não sabia (Título original: Sourds et Malentendus). Direção: Igor Ochronowicz. Ano de produção: 2009. Estreia no Brasil: 2009. Duração: 70 minutos.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PymXMyz3nSk. Acesso em: 02 maio 2024.

VASCONCELOS, J. A pedagogia da imagem: Deleuze, Godard – ou como produzir um pensamento do cinema. Educação e Realidade, v. 33, n. 1, p. 155-168, jan./jun. 2008. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/6692. Acesso em: 23 set. 2025.

XAVIER, A. G. P. Olhos abertos, punhos cerrados: participação política da minoria surda nos Estados Unidos da América. Revista Brasileira de Políticas Públicas e Internacionais, v. 4, n. 2, p. 163-185, nov. 2019. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/rppi/article/view/47414. Acesso em: 12 set. 2024.

WIKIPEDIA, The Free Encyclopedia. Sound and fury (filme). Sem data. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Sound_and_Fury_(film). Acesso em: 05 ago. 2024.

WITCHS, P. H.; LOPES, M. C. Surdez como matriz de experiência. Revista Espaço, Rio de Janeiro, n. 43, p. 31-47, jan./jun. 2015. Disponível em: https://seer.ines.gov.br/index.php/revista-espaco/article/view/1287. Acesso em: 02 maio 2024.

Downloads

Publicado

2025-10-03

Como Citar

ANDRADE PERES FERNANDES, E.; DE OLIVEIRA MARTINS, V. R. Corporeidades de mulheres surdas no cinema contemporâneo: uma cartografia. REVISTA INTERSABERES, [S. l.], v. 20, p. e25do314, 2025. DOI: 10.22169/revint.v20.e25do314. Disponível em: https://www.revistasuninter.com/intersaberes/index.php/revista/article/view/2824. Acesso em: 15 jun. 2026.

Edição

Seção

Dossiê - Educação e visualidades: olhares sobre cinema e vídeo