Pensar a literatura (e seu ensino) como zona de vizinhança e convergência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22169/revint.v18.e023tl4010

Palavras-chave:

Concepção de Literatura, Teoria da Literatura, Ensino e Pesquisa em Literatura

Resumo

Este texto é uma forma híbrida de se relatar um ano de pesquisa no campo do ensino de literatura. Propõe-se a discutir a literatura em si como zona de vizinhança e convergência de diferentes formas de pensamento e campos de conhecimento. Para tanto, alguns caminhos e métodos são adotados a fim de que se consiga ao menos traçar um mapeamento da questão. O primeiro método vem da sondagem, entre estudantes de Letras, sobre o que compreendem como literatura. Isto posto, dialoga-se com uma entrevista de Jacques Derrida (2014), em que explicita de forma evidente o interesse das desconstruções pela literatura, mas também a noção de que, historicamente dissociada do lastro da verdade, a literatura pode dizer tudo. Para Derrida, há aí uma responsabilidade correlata da liberdade de poder tudo dizer. É a partir desse pensamento que a abordagem do texto literário extrapola os limites do pensamento científico, transbordando fronteiras do logocentrismo racionalista, produtivista e capitalista. A força da vida e do pensamento, demonstra-o Deleuze em Crítica e clínica (2011), está na potencialidade de extrapolar os limites do caráter ordinário do senso comum, do cotidiano, de modo que na literatura o escritor instaura uma desordem do status quo da gramaticalidade e da sintaxe cotidiana, de forma que a vida, percebida pelo texto literário, se dá por associações e encadeamentos contingenciais, na forma de deslimites e rizomas. O texto tem, ainda, como finalidade, pensar a interseção “ensino+pesquisa+interpretação” do texto literário fora dos muros da pedagogização.

Palavras-chave: Concepção de Literatura; Teoria da Literatura; Ensino e Pesquisa em Literatura.

ABSTRACT

This text is a hybrid form to report a year of research in the field of teaching literature. It proposes to discuss the literature itself as a neighborhood and convergence zone of different forms of thought and fields of knowledge. To this end, some paths and methods will be adopted in order to at least map out the issue. The first method comes from a survey, among Literature students, about what they understand as literature. That said, there will be a dialogue with Jacques Derrida's interview (2014), in which Derrida makes explicit in a more evident way the interest of deconstructions in literature and the notion that, being historically dissociated from the ballast of truth, literature can say everything. For Derrida, there is a great responsibility related to the freedom to be able to say everything. It is also based on this thought that the approach to the literary text goes beyond the limits of scientific thought, overflowing the borders of the rationalist, capitalist and productivist logocentrism. The strength of life and thought, Deleuze demonstrates in Crítica e clínica (2011), lies in the potential to extrapolate the limits of the ordinary character of common sense, of everyday life, so that in literature the writer establishes a disorder of the status quo of everyday grammar and syntax, so that life, perceived by the literary text, takes place through associations and contingent linkages, in the form of boundaries and rhizomes. This text also has the purpose of thinking about the intersection “teaching+research+interpretation” of the literary text outside the constraints of pedagogization.

Key-words: Conception of Literature; Literature Theory; Teaching and Research in Literature.

RESUMEN

Este texto es una forma híbrida de relatar un año de investigación en el campo de la enseñanza de la literatura. Así, propone discutir la propia literatura como barrio y zona de convergencia de diferentes formas de pensamiento y campos del saber. Para ello, se adoptarán algunos caminos y métodos para al menos mapear el problema. El primer método surge de una encuesta, entre estudiantes de Literatura, sobre lo que entienden por literatura. Dicho esto, habrá un diálogo con la entrevista de Jacques Derrida (2014), en la que Derrida explicita de manera más evidente el interés de las deconstrucciones en la literatura, y la noción de que, estando históricamente disociada del lastre de la verdad, la literatura puede decirlo todo. Para Derrida hay una gran responsabilidad relacionada con la libertad de poder decirlo todo. Es también en base a este pensamiento que el abordaje del texto literario va más allá de los límites del pensamiento científico, desbordando las fronteras del logocentrismo racionalista, capitalista y productivista. La fuerza de la vida y del pensamiento, demuestra Deleuze en Crítica e clínica (2011), radica en la potencialidad de extrapolar los límites del carácter ordinario del sentido común, de la cotidianidad, de modo que en la literatura el escritor instaura un desorden del status quo de la gramática y la sintaxis cotidianas, de manera que la vida, percibida por el texto literario, se realiza a través de asociaciones y vínculos contingentes, en forma de límites y rizomas. Este texto también tiene el propósito de pensar la intersección “enseñanza+investigación+interpretación” del texto literario fuera de los límites de la pedagogización.

Palabras-clave: Concepción de la Literatura; Teoría de la Literatura; Docencia e Investigación en Literatura.

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Biografia do Autor

Josué Borges de Araújo Godinho, Universidade do Estado de Minas Gerais — UEMG/CARANGOLA

Doutor em Estudos Literários – Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela UFMG. Professor Efetivo de Teoria da Literatura e Literaturas de Língua Portuguesa – Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade de Carangola.

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Publicado

2023-08-10

Como Citar

BORGES DE ARAÚJO GODINHO, J. Pensar a literatura (e seu ensino) como zona de vizinhança e convergência. REVISTA INTERSABERES, [S. l.], v. 18, p. e023tl4010, 2023. DOI: 10.22169/revint.v18.e023tl4010. Disponível em: https://www.revistasuninter.com/intersaberes/index.php/revista/article/view/e023tl4010. Acesso em: 24 jun. 2024.

Edição

Seção

Artigo