Cuidado integral: mais que uma diretriz, um compromisso com a vida
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Em um momento em que os sistemas de saúde enfrentam desafios crescentes de complexidade clínica, sobrecarga assistencial e fragmentação do cuidado, reafirmar o compromisso com o cuidado integral não é apenas um gesto conceitual, é um imperativo ético, político e técnico. No cerne das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) está a compreensão do ser humano em sua totalidade: corpo, mente, contexto, vínculos e história. Uma abordagem que considera não apenas a doença, mas também o sofrimento, os determinantes sociais e os modos de viver.
O cuidado integral, nesse sentido, não se limita a somar terapias ou ampliar ofertas de serviços. Ele exige articulação entre saberes, valorização das subjetividades e, sobretudo, uma reorganização do modelo assistencial que permita escuta, vínculo e continuidade. Essa transformação não se faz apenas por diretrizes, mas por práticas cotidianas enraizadas em territórios, relações e escolhas políticas.
As PICS têm se consolidado como potentes ferramentas no fortalecimento dessa perspectiva. Seja no SUS, por meio de experiências exitosas com farmácias vivas, espaços de cuidado comunitário e terapias integrativas em atenção primária, seja na saúde suplementar ou em projetos sociais autônomos, elas desafiam a lógica reducionista do “ato médico isolado” e convidam à ampliação dos sentidos de saúde e cuidado. No entanto, ainda há entraves relevantes. Muitos gestores, profissionais e mesmo instituições formadoras ainda reproduzem visões tecnocráticas e hierarquizadas que mantêm o cuidado compartimentalizado. O cuidado integral é frequentemente tratado como um adorno, um “extra” para quando há tempo, e não como a espinha dorsal de um sistema de saúde humanizado, resolutivo e justo.
Cabe, portanto, a esta Revista, como espaço de produção e circulação de conhecimento, reiterar a importância do cuidado integral como norte metodológico, ético e político. Isso significa publicar experiências que rompem com a fragmentação, valorizar pesquisas que articulam o saber técnico com o vivido e sustentar o debate crítico sobre os limites e possibilidades das práticas integrativas no Brasil.
Que esta edição contribua para aprofundar essa reflexão e, mais do que isso, para fortalecer práticas de cuidado que respeitam a integralidade da vida.
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