EDITORIAL - Caminhos para a sustentabilidade ambiental no Brasil contemporâneo
Resumo
O cenário ambiental brasileiro reflete uma complexa rede de interações entre desenvolvimento econômico, conservação e justiça social. A busca por sustentabilidade exige compreender as dinâmicas que moldam nossos biomas, a gestão dos recursos naturais e os impactos das atividades humanas sobre os serviços ecossistêmicos. Em meio às mudanças climáticas, ao avanço do desmatamento e às desigualdades socioambientais, torna-se urgente repensar práticas produtivas e políticas públicas que conciliem conservação e desenvolvimento.
A presente edição reúne estudos que abordam a sustentabilidade sob múltiplas dimensões — ecológica, social, econômica e cultural —, oferecendo reflexões sobre os caminhos possíveis para equilibrar o uso racional dos recursos e a proteção ambiental. As pesquisas apresentadas ampliam a compreensão sobre temas fundamentais, desde a geoquímica amazônica e o manejo hídrico até a justiça ambiental, os conflitos em comunidades tradicionais e os desafios da gestão urbana sustentável.
O artigo “Geoquímica da Amazônia: impactos antrópicos e implicações para os serviços ecossistêmicos” traz uma análise abrangente sobre os efeitos do desmatamento, das queimadas e da mineração na dinâmica dos solos e recursos hídricos amazônicos, ressaltando a importância da conservação dos processos geoquímicos para a manutenção dos serviços ecossistêmicos.
Na sequência, o estudo “Curva-chave de vazões e sedimentos como ferramenta para a sustentabilidade hídrica do rio Sapucaí” propõe um modelo empírico para avaliar o transporte de sedimentos e a qualidade da água, demonstrando como a compreensão da dinâmica sedimentar pode contribuir para estratégias de manejo e prevenção de enchentes.
Em “Desmatamento e recuperação florestal no Cerrado brasileiro: uma análise à luz da Teoria da Transição Florestal”, são discutidos os estágios de perda e recuperação da cobertura vegetal no bioma, com destaque para a influência da expansão agropecuária e da pressão por commodities, bem como a necessidade de políticas integradas de conservação e manejo sustentável.
O artigo “Desenvolvimento sustentável em nível local: uma análise crítica da gestão pública de Curitiba-PR frente aos ODS da Agenda 2030” examina o desempenho da capital paranaense em relação aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, revelando avanços significativos, mas também lacunas em áreas como igualdade de gênero, agricultura sustentável e cidades inclusivas.
A dimensão social da sustentabilidade é aprofundada no estudo “Ecofeminismo: gênero e meio ambiente no contexto brasileiro”, que evidencia o protagonismo das mulheres em movimentos ambientais e sua contribuição para uma agenda ecológica mais justa, plural e integradora.
O artigo “Recursos ambientais em comunidades tradicionais no município de Guaraqueçaba: uma revisão sistemática” analisa os conflitos socioambientais decorrentes das restrições legais impostas em áreas de proteção, destacando a urgência de políticas públicas que conciliem conservação e o direito à sobrevivência digna das comunidades locais.
Encerrando esta edição, o estudo “Guias alimentares: uma análise crítica e comparativa com base no Relatório de Desenvolvimento Sustentável (2024)” discute como diferentes países incorporam a sustentabilidade em suas diretrizes nutricionais, evidenciando o destaque do Brasil na valorização de práticas alimentares saudáveis e culturalmente enraizadas.
Esperamos que os trabalhos aqui reunidos inspirem a reflexão e o diálogo sobre as múltiplas dimensões da sustentabilidade, reforçando a importância da ciência, da gestão pública e da participação social na construção de um futuro mais equilibrado, justo e ambientalmente responsável.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Augusto Lima da Silveira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os direitos autorais dos artigos publicados são do(s) autor(es) e do periódico, com os direitos de primeira publicação para a Revista.
Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, com aplicações educacionais e não comerciais, de acordo com a licença CC-BY-ND - Creative Commons ( https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/legalcode)




