Alimentação saudável e consumo de hortaliças

  • Claudio Becker
  • Aliane Terezinha de Lima Martins Universidade Estadual do Rio Grande Sul
  • Shirley G. da S. Nascimento Universidade Federal do Pampa
  • Mariana Rockenbach de Ávila EMBRAPA Clima Temperado

Resumo

O consumo adequado de hortaliças tem sido apontado como um dos fatores de proteção contra doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças cardiovasculares e obesidade. Apesar de comprovados os benefícios da ingestão de hortaliças para a saúde, seu uso ainda é bastante limitado; a maioria dos brasileiros ingere menos das 400 g. diárias recomendadas pelo Guia Alimentar para População Brasileira. O objetivo deste trabalho foi compreender o comportamento alimentar dos indivíduos de Santana do Livramento, do estado do RS, sobre o consumo de hortaliças e sua relação com a alimentação saudável. Para abordar os propósitos do estudo foi aplicado um questionário eletrônico a 203 pessoas, selecionadas de forma mista (intencional e aleatória). Exploraram-se questões sociodemográficas, dados antropométricos e fizeram-se perguntas sobre o atual padrão alimentar, entre os meses de março e abril de 2020. Os dados foram sistematizados e analisados por meio de planilhas eletrônicas, das quais se extraíram aqueles de interesse para esta pesquisa. Entre os principais resultados, verificou-se que o consumo de hortaliças está relacionado com a preocupação das pessoas com a saúde. Mesmo assim, esta associação não é suficiente para criar o hábito de consumo destes alimentos. As barreiras citadas foram: i) a falta de tempo e ii) o preço. Este último foi extremamente ressaltado nas abordagens sobre o consumo de alimentos orgânicos.

Palavras-chave: vegetais; consumir; saúde; alimentação.

Abstract

Adequate consumption of vegetables has been identified as one of the protective factors against chronic non-communicable diseases, such as diabetes, cardiovascular diseases, and obesity. Despite the proven benefits of eating vegetables for health is proven, their use is still quite limited; most Brazilians ingest less than 400 g. daily allowances recommended by the Food Guide for the Brazilian Population. This study aimed to understand the eating behavior of individuals from Santana do Livramento, in the state of RS, on the consumption of vegetables and their relationship with healthy eating. To address the purposes of the study, an electronic questionnaire was applied to 203 people, selected in a mixed way (intentional and random). Sociodemographic issues, anthropometric data, and questions were asked about the current dietary pattern, between March and April 2020. The data were systematized and analyzed using electronic spreadsheets, from which those of interest for this research were extracted. Among the main results, it was found that the consumption of vegetables is related to the concern of people with health. Even so, this association is not enough to create the habit of consuming these foods. The barriers cited were: i) lack of time and ii) price. The latter was extremely highlighted in approaches to the consumption of organic foods.

Keywords: vegetables; consume; health; food.

Resumen

El consumo adecuado de vegetales ha sido apuntado como uno de los factores de protección contra enfermedades crónicas no trasmisibles, como la diabetis, enfermedades cardiovasculares y obesidad. Aunque se hayan comprobado los beneficios de la ingesta de vegetales para la salud, su uso es aún limitado; la mayor parte de los brasileños ingiere menos de las 400g diarias, recomendadas por la Guía de Alimentación para la Población Brasileña. El objetivo de este trabajo fue comprender el comportamiento de la alimentación de individuos de Santana do Livramento, del estado RS, sobre el consumo de vegetales y su relación con la alimentación saludable. Para atender los propósitos del estudio, se aplicó un cuestionario electrónico a 203 personas, seleccionadas de forma mixta (intencional y aleatoria). Se exploraron cuestiones sociodemográficas, datos antropométricos y se hicieron preguntas sobre los hábitos de alimentación actuales, entre los meses de marzo y abril de 2020. Los datos fueron sistematizados y analizados por medio de planillas electrónicas, de las cuales se extrajeron aquellos de interés para esta investigación. Entre los principales resultados, se constató que la ingesta de vegetales está relacionada con la preocupación de las personas con la salud. Aun así, esa asociación no es suficiente para crear el hábito de consumo de esos alimentos. Las barreras citadas fueron: i) falta de tiempo y ii) el precio. Este último fue muy resaltado en la discusión sobre el consumo de alimentos orgánicos.

Palabras-clave: vegetales; consumir; salud; alimentación.

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Biografia do Autor

Claudio Becker

Professor Adjunto da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, Campus Santana do Livramento. Professor do Mestrado em Ambiente e Sustentabilidade (Uergs). Eng. Agrônomo (UFPel). Doutor e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar (UFPel). Possui experiência profissional em Agricultura Familiar e Agroecologia, atuando nas seguintes temáticas: redes agroalimentares sustentáveis; desenvolvimento rural; políticas públicas para a agricultura familiar; segurança e soberania alimentar; associativismo e cooperativismo; produção, comercialização e certificação de alimentos orgânicos e/ou agroecológicos.

Aliane Terezinha de Lima Martins, Universidade Estadual do Rio Grande Sul

Universidade Estadual do Rio Grande Sul, munic[ipio de Santana do Livramento, Brasil. 

Shirley G. da S. Nascimento, Universidade Federal do Pampa

Professora Adjunta na Universidade Federal do Pampa. Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Agroecologia e Manejo e Conservação do Solo. Professora colaboradora do Programa de pós graduação em Desenvolvimento Territorial e Sistemas Agroindustriais. Membro do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Políticas Públicas para Agricultura Familiar (NUPEAR/UFPel). Pós Doutora pelo Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Territorial e Sistemas Agroindustriais (2016). Doutora pelo Programa de Pós- Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar. Mestre em Agronomia também pelo Programa de Pós- Graduação em Sistema de Produção Agrícola Familiar, na linha de pesquisa de Desenvolvimento Rural Sustentável (2009). Especialista em Educação Ambiental pela Cesusc/SC (2008). Graduada em Tecnologia Ambiental ? com Ênfase em Saneamento Ambiental pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas (2005). Graduada no Programa Especial de Formação Pedagógica também pelo CEFET (2007). Possui experiência na área de Agroecologia, Agricultura Familiar, Educação Ambiental, atuando nas seguintes vertentes: segurança alimentar e nutricional, educação alimentar, políticas públicas, consumo social de alimentos e educação ambiental.

Mariana Rockenbach de Ávila, EMBRAPA Clima Temperado

Doutora em Zootecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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Publicado
2022-02-16
Seção
Artigos