Yoga no cotidiano de cuidado durante a internação psiquiátrica: significados, imagens e vivências

  • Sandra Mara Corrêa Universidade Federal de Santa Catarina
  • Rosane Gonçalves Nitschke Universidade Federal de Santa Catarina
  • Adriana Dutra Tholl Universidade Federal de Santa Catarina
  • Sandra Greice Becker Universidade Federal do Amazonas
  • Maria Ligia dos Reis Bellaguarda Universidade Federal de Santa Catarina
  • Juliano de Amorim Busana Universidade Federal de Santa Catarina
  • Selma Maria Fonseca Viegas Universidade Federal de São João del-Rei

Resumo

O presente estudo tem por objetivo compreender o significado do yoga no cotidiano de cuidado das pessoas com transtorno mental, a partir da vivência da prática em um hospital psiquiátrico e do imaginário de seus familiares. Trata-se de uma Pesquisa Convergente Assistencial (PCA), com abordagem qualitativa e embasada pela Sociologia Compreensiva e do Cotidiano de Michel Maffesoli. A partir de entrevistas, estabeleceram-se duas categorias de análise: Significados do yoga e O yoga no cotidiano de cuidado, com subcategorias. Na primeira categoria, o yoga é descrito através de termos como: relaxamento, autoconhecimento, liberdade, meditação e filosofia de vida. Na segunda, as expressões utilizadas para descrever a prática foram: melhora, mudanças e relaxamento. Concluímos que as oficinas de yoga promovem uma melhor qualidade de vida e estimulam o enfrentamento da doença de maneira positiva, por intermédio do empoderamento, autoconhecimento e autocuidado; possibilita-se, assim, a promoção da saúde das pessoas com transtorno mental e de suas famílias.

Palavras-chave: yoga; saúde mental; atividades cotidianas; promoção da saúde; família.

Abstract

This study aims to understand the meaning of yoga in the daily care of people with mental disorders, from the experience of the practice in a psychiatric hospital and the imagination of their families. It is a Convergent Care Research (CCR), with a qualitative approach, based on Michel Maffesoli's Comprehensive and Everyday Life Sociology. Two categories of analysis were established from interviews: Meanings of yoga and Yoga in daily care, with subcategories. In the first category, yoga is described through terms such as: relaxation, self-knowledge, freedom, meditation, and philosophy of life. In the second, the expressions used to describe the practice were: improvement, changes, and relaxation. We conclude that yoga workshops, in this context, promote a better quality of life and encourage the fight against the disease in a positive way, through empowerment, self-knowledge, and self-care; this makes it possible to promote the health of people with mental disorders and their families.

Keywords: yoga; mental health; daily activities; health promotion; family.

Resumen

El presente estudio tiene el objetivo de comprender el significado del yoga en el cuidado diario de personas con trastornos mentales, a partir de la experiencia de pasantías en un hospital psiquiátrico y del imaginario de sus familiares. Se trata de una Investigación Convergente de Asistencia (ICA), con acercamiento cualitativo apoyado en la Sociología Comprehensiva y de lo Cotidiano de Michell Maffesoli. A partir de entrevistas, se establecieron dos categorías de análisis: Significados del yoga y El yoga en el cuidado cotidiano, con subcategorías. En la primera, se describe el yoga por medio de los términos relajamiento, autoconocimiento, libertad, meditación y filosofía de vida. En la segunda, las expresiones usadas para describir esa práctica fueron: mejora, cambios y relajamiento. Llegamos a la concusión de que la práctica de yoga ofrece mejor calidad de vida y permite enfrentar la enfermedad de forma positiva, por el empoderamiento, autoconocimiento y autocuidado; se hace posible, por lo tanto, fortalecer la salud de las personas con trastorno mental y la de sus familias.

Palabras-clave: yoga; salud mental; actividades cotidianas; fortalecimiento de la salud; familia.

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Biografia do Autor

Sandra Mara Corrêa, Universidade Federal de Santa Catarina

Enfermeira. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina – PEN/UFSC.

Rosane Gonçalves Nitschke, Universidade Federal de Santa Catarina

Enfermeira. Doutora em Filosofia de Enfermagem pela UFSC/SORBONNE/Paris V. Professora do Departamento de Enfermagem e do PEN/UFSC. Florianópolis (SC). 

Adriana Dutra Tholl, Universidade Federal de Santa Catarina

Enfermeira. Doutora em Filosofia de Enfermagem pela UFSC. Professora do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação Gestão do Cuidado da Universidade Federal de Santa Catarina – PEN/UFSC. Florianópolis (SC). 

Sandra Greice Becker, Universidade Federal do Amazonas

Enfermeira. Doutora em Filosofia de Enfermagem pela UFSC. Professora da Escola de Enfermagem de Manaus, na Universidade Federal do Amazonas. 

Maria Ligia dos Reis Bellaguarda, Universidade Federal de Santa Catarina

Enfermeira. Doutora em Filosofia de Enfermagem pela UFSC. Professora do Departamento de Enfermagem e do PEN/UFSC. Florianópolis (SC).

Juliano de Amorim Busana, Universidade Federal de Santa Catarina

Enfermeiro. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina – PEN/UFSC. Professor do Departamento de Enfermagem do Centro Universátário Avantis – UNIAVAN. Florianópolis (SC). 

Selma Maria Fonseca Viegas, Universidade Federal de São João del-Rei

Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Centro-Oeste (UFSJ/CCO), Divinópolis-MG. E do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PGENF) UFSJ/CCO. 

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Publicado
2021-07-14
Seção
Artigos